Os filtros de partículas um problema para a carteira

Substituição daquele componente pode atingir 2300 euros


O benefício ambiental dos filtros de partículas que equipam os motores diesel pode ter o dispendioso reverso da medalha de terem de ser substituídos antes do prazo definido pelas marcas. Principalmente, nos casos em que é dada uma utilização mais urbana aos veículos. O cheque a passar à oficina reparadora pode atingir 2300 Euros, de acordo com o apurado pela “2max”.

Os filtros de partículas dos motores diesel oferecem um benefício ambiental, mas têm o reverso da medalha de poderem dar problemas antes das quilometragem prevista pela marca. Este é um reverso bem caro por sinal, pois pode, segundo o que a “Economic Life” apurou, ser superior a 2300 euros. Designada em algumas marcas por DPF ou FAP, esta peça é obrigatória na Europa desde 2010, com as normas de emissões Euro V, mas começou a ser instalado em alguns modelos diesel desde o início da década passada. Os motores diesel tinham o benefício de ter menos emissões de CO2 do que os movidos a gasolina, mas apresentavam a desvantagem de emitirem muitas partículas para a atmosfera. Todavia, foi este defeito que o DPF veio colmatar. O pior é quando este componente dá problemas. A maioria das vezes em que isso acontece é quando a viatura circula em meios urbanos ou é usada poucas vezes. No entanto, em mercados como o português, em que há uma “dieselização” do mercado e muitas viaturas citadinas já montam motores diesel, isso é um problema adicional. Os problemas surgem porque o DPF precisa de atingir uma determinada temperatura para que aconteça o processo de regeneração e, desse modo, fique automaticamente ‘limpo’ das partículas bloqueadas.

Duração mínima 120 mil km

Em condições óptimas, o filtro de partículas diesel deve, nas marcas consultadas pela “2max”, ter uma duração mínima de 120 mil km. Há, no entanto, cada vez mais marcas a não declararem um prazo de substituição no plano de revisões, indicando o tempo de vida útil de automóvel como duração prevista para o componente. É o caso da Mercedes. A marca sublinha, no entanto, a existência de alguns fatores que podem condicionar a longevidade daquele componente tais como a “qualidade do combustível, aditivos do combustível, problemas de combustão ou a qualidade do óleo”. Fonte da Mercedes-Benz Portugal recordou-nos que não presta assistência pós-venda de forma direta e, como tal, não nos indicou o valor de substituição de uma peça num dos seus modelos mais vendidos. Consultámos um concessionário Mercedes-Benz e, em relação ao valor do filtro de partículas de classe C, o custo será de 1883,90 Euros mais IVA, custo por hora 46 euros neste concessionário, este serviço demora cerca de três horas. Podem, eventualmente, os valores diferirem em outro concessionário, disse-nos. O montante da peça mais mão-de-obra é de 2317,2 Euros.
Para os modelos diesel Toyota mais vendidos, o bloco 1.4 D-4D e o 2.0 D-4D, em média o filtro de partículas ronda os 675 euros, sendo o custo de montagem cerca de 160 euros, segundo a marca. “Apesar de ser os mais comuns, temos ainda o bloco 2.2 equipado com tecnologia D-CAT. Este avançado sistema de tratamento de gases que permite eliminar os NOx e as partículas (as maiores emissões do motor diesel) tendo um custo associado mais elevado”, disse-nos fonte da Toyota Caetano Portugal.
Em termos de duração média, a marca japonesa refere que o filtro de partículas “é desenvolvido para durar a vida útil” do modelo assim como não requer qualquer manutenção, pelo que não existe nenhum timing de substituição preconizado pela marca. “Contudo, sabemos que a duração depende fortemente do tipo de utilização, sendo que uma utilização intensiva em trânsito citadino por longos períodos de tempo pode condicionar o funcionamento do mesmo”, esclarece a marca.
No caso da Ford, a marca informou-nos que até ao lançamento do C-MAX e Focus (lançados em 2007 e 2008, respetivamente), a Ford utilizava dois tipos de filtros de partículas aditivados ou revestidos, sendo que, atualmente, apenas utiliza a versão revestida.
Os filtros aditivados utilizavam um aditivo para promover a regeneração e que obrigava a reabastecimento de aditivo até aos 60 mil km ou três anos (o que ocorresse primeiro) e à substituição do filtro até aos 120 mil km ou seis anos. “Estas datas eram as limites, porquanto dependendo dos consumos registados pelos veículos, (consumos mais elevados implicam consumo mais rápido do aditivo), a necessidade de reabastecimento ou substituição é acelerada e feita antes dos períodos definidos pelo fabricante”, disse-nos a diretora de comunicação da Ford Lusitana, Anabela Correia. O preço deste tipo de filtros com montagem varia entre 750 e 1100 euros (922 a 1353 com IVA).
Quanto aos filtros de partículas diesel revestidos, não têm manutenção, embora a marca recorde que a longevidade varia com as condições de utilização. “Condução muito citadina, com elevados níveis de consumo ou com muitos ciclos de regeneração diária, promove o aumento de regenerações e subsequente desgaste acelerado da vida útil do componente”, indica a mesma fonte. Utilizados em todos os modelos diesel da atual gama de produtos Ford, estes filtros têm um preço com montagem na rede oficial da marca entre 1200 e 1300 euros (1476 a 1599 com IVA).
Fonte da Renault Portugal indicou à “2max” que filtros de partículas diesel da marca não têm qualquer tipo de manutenção associado, isto é, “não carecem de substituição ao fim de um determinado período”. Quanto a preços de peça e montagem, o valor com IVA na rede Renault varia entre 1217 e 1597 euros (a mão de obra é igual nos dois casos, 63 euros mais IVA).
Nos modelos atuais da BMW e da Mini, os preços deste componente variam entre 885,6 e 1563,1 euros (valores com IVA), aos quais se devem, segundo fonte do grupo, acrescentar 27 euros (também já com IVA) referentes aos 30 minutos de mão de obra necessários para completar a operação.
Quanto à longevidade dos componentes nos produtos da casa bávara, “os filtros de partículas nos modelos BMW e Mini têm uma duração média na ordem dos 150 mil a 200 mil km, dependendo do tipo de utilização (mais cedo em cidade e mais tarde em longas deslocações)”.
No caso da Opel, fonte da marca alemã indicou-nos um intervalo de preços, incluindo IVA e montagem, entre 985 e 2760 euros. Em relação à duração, os filtros da marca alemã “duram todo o ciclo de vida do automóvel”, indicou-nos fonte da Opel Portugal.
Na Honda, este componente, no caso do modelo com filtro de partículas diesel mais vendido pela marca em Portugal, o Accord i-DTEC, tem um custo ao cliente de 1035,37 euros (peça e mão de obra, com IVA incluído). Em relação à duração, fonte da filial da marca nipónica disse à “2max” que não está previsto um período ou quilometragem média para a sua substituição, pois sistema de filtro de partículas não necessita de manutenção. “Porém existem diversos fatores que influenciam diretamente o comportamento/fiabilidade/vida útil deste componente tal como uma condução durante longos períodos a uma baixa velocidade ou períodos de condução extremamente curtos em que o filtro não atinge a sua temperatura normal de funcionamento. Adicionalmente, a utilização de gasóleo de qualidade inferior como ainda interrupção por parte do condutor do processo de regeneração do filtro de partículas poderá encurtar a sua vida útil. De salientar que todos os modelos Honda equipados com filtro de partículas informam o condutor da necessidade de proceder à regeneração do mesmo”, referiu.

Nem todas as marcas fornecem informação

Além das marcas referidas, a “2max” solicitou ainda dados sobre os custos do filtro de partículas diesel à Citroën, Peugeot, Volkswagen, Fiat e Mazda. Perante a ausência de resposta das marcas no prazo indicado, contactámos a Boxer Consulting, que nos forneceu os custos para as três primeiras marcas. Foi, ainda assim, impossível obter dados para Fiat e Mazda, que têm um parque circulante diesel importante. No que se refere aos dados fornecidos pela Boxer, os custos, com mão de obra e IVA, são de 1123,51 euros na Volkswagen (1.6 TDI), enquanto na Citroën (1.6 HDi e 2.0 HDi) variam entre 691,95 e 801,44 euros e na Peugeot (também 1.6 HDi e 2.0 HDi) entre 445,42 e 738,63 euros. Destaque para o curioso facto de tanto na Peugeot como na Citroën o filtro mais caro ser o de o motor de maior cilindrada, apesar do prazo para substituição ser mais dilatado.

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